A corrupção é cultural no Brasil?

por Fabrizzio CHIOCCOLA 

 

Um observatório de ética, a princípio, parece ser um ambiente propício e fecundo no sentido de adentrarmos com mais critério em um terreno tão árido e diverso quanto às questões que envolvem valores éticos e morais. Uma inquietação pessoal, porém, tem especial destaque: as micro corruções no cotidiano, ou, em outra via, aproximar o debate da ética às questões culturais.

 

Neste sentido, seguramente a corrupção ocupa um lugar de destaque, quer seja como um importante desvio ético público em benefício de entes privados quer seja como uma prática ou traço cultural presente no Brasil. Estamos habituados a nos encontrar com este tema diariamente tendo em vista a frequência com que tal assunto é tratado pela mídia de modo geral. Em suas inúmeras vertentes, modalidades e possibilidades a corrupção ostenta adjetivos como vil, imoral, endêmico e em certa medida pode ser entendido como cultural.

 

Possivelmente, as infinitas possibilidades da ação do homem no mundo, aliadas, no contexto brasileiro, às heranças deixadas por um processo de colonização ibérica podem, em certa medida, contribuir no sentido de explicar determinados comportamentos, os quais, os sujeitos, quando colocados diante de escolhas, sejam incapazes de mensurar os efeitos das suas ações em detrimento ao bem comum.

 

Enfim, a proposta para os próximos posts, é em primeiro lugar, tratar do tema – Ética – sob uma ótica que considere a cultura como fio condutor das nossas abordagens e, a partir dai tecer algumas reflexões sobre as relações entre cultura e corrupção, considerando que toda quebra de um conjunto de normas de conduta em prol de uma hipotética vida boa deve, sem duvida, considerar as condições de produção das ações dos sujeitos.