Femvertising

por Gabriela PEREIRA

 

O feminismo vem ganhando espaço e visibilidade nos últimos anos, o tema esteve presente em várias campanhas na internet, no ENEM, em discursos na premiação do Oscar, na música e no cinema. Ver o tema sendo discutido por figuras públicas e em espaços de grande audiência de certa forma fez com que ele ganhasse mais relevância no dia a dia das pessoas.

 

Muitas mulheres passaram a se identificar com o que era falado e começaram a questionar as situações que viviam diariamente e que antes eram consideradas “normais”. Algumas marcas e empresas notaram essa mudança no comportamento e finalmente “acordaram” para essa nova onda do feminismo.

 

Surgiu então, o Femvestising, termo que une as palavras inglesas feminism (feminismo) e advertising (propaganda) e diz respeito ao tipo de publicidade que foge dos estereótipos femininos e foca no empoderamento da mulher. Bons exemplos não faltam: #LikeAGirl, Dove Real Beleza, Avon.

 

Porém, fazendo parte de um observatório de ética, não posso deixar de problematizar algumas questões relacionadas ao movimento do Femvertising. Apesar de achar essa mudança na publicidade algo positivo, é preciso questionar o quão verdadeiro é esse discurso usado pelas marcas.

 

Sabemos que o objetivo final das empresas é vender cada vez mais seus produtos, se conseguirem fazer isso falando sobre o empoderamento feminino, ótimo. Significa que veremos mais campanhas boas por aí. O que não pode acontecer é assumir e usar esse posicionamento apenas para aumentar as vendas.

 

Não é difícil descobrir se esse novo discurso de igualdade adotado pelas empresas é real ou se não passa de uma hipocrisia, basta responder algumas perguntas: As mulheres que ali trabalham possuem as mesmas oportunidades de crescimento que os homens? Os salários de homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo são iguais? As ideias e opiniões das mulheres são ouvidas em reuniões? Existe representatividade feminina em grandes cargos? Caso as respostas sejam afirmativas, aí sim temos motivos para comemorar, caso contrário, precisamos continuar com as discussões, questionamentos e debates.